terça-feira, 23 de novembro de 2010


Nós passámos rapidamente porque aquela fase. Pela inconsequência das horas, pela irresistível urgência do prazer. Quando os sussuros no ouvido causavam arrepios na espinha, tamanha era a impaciência pelo corpo do outro. Éramos tão miúdos; e fizemos, com (c)alma, a amálgama dos corpos.
Depois a troca fugaz deu lugar à troca pela ternura; no horizonte perderam-se os gemidos e chegaram as melodias. Cada abraço traz a certeza, cada beijo traz o para sempre, cada toque deixa de trazer a ânsia para dar lugar à cumplicidade. Mas tenho medo que nos tenhamos deixado engolir pela intimidade. Pelo bater dos ponteiros. E apesar do batuque do coração no peito do outro, a cabeça revela a falta de juízo de um amor antigo. E agora?

Amo-te cada vez mais. Amo-te até mais não. Amo-te tanto que dói. Amo-te tanto que não consigo. Amo-te mais que o medo. E não quero que o medo mate o meu amor. ou pior ainda, o teu. Por favor, leva-me para casa.

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